Arquitetos Negros em Porto Alegre: História, Dados e Presença
Um panorama sobre a contribuição, os desafios e a luta por representatividade de arquitetos e arquitetas negras, pardas e indígenas na capital gaúcha.

A arquitetura de Porto Alegre é construída por mãos e mentes diversas
A presença da população negra em Porto Alegre é conhecida desde o período colonial. Contudo, ela nem sempre compõe as narrativas oficiais sobre a evolução da cidade, acarretando a invisibilização e o esquecimento dos espaços e das contribuições negras para a construção do espaço urbano .
Esta página é um espaço para reconhecer, valorizar e fortalecer a presença de arquitetos e arquitetas negras, pardas e indígenas em Porto Alegre, destacando sua história, seus desafios e a importância das políticas afirmativas para a construção de uma arquitetura mais justa, democrática e representativa.
Territórios Negros e o Apagamento Urbano
A história da urbanização de Porto Alegre é marcada por processos que, frequentemente, resultaram no apagamento da presença negra no espaço da cidade. Diversos territórios, hoje centrais, foram originalmente ocupados pela população negra .
Territórios Negros Históricos
Estes territórios foram se deslocando para as bordas da cidade em momentos de profundas transformações urbanas .
O projeto de modernização da cidade, iniciado no final do século XIX e intensificado nas décadas seguintes, promoveu uma verdadeira "limpeza" social e racial. Cortiços e moradias populares, onde vivia a população negra e pobre, foram demolidos para dar lugar a edificações de alto padrão e grandes avenidas .
O IAB RS (Instituto de Arquitetos do Brasil - seção Rio Grande do Sul) tem promovido cursos como "Apagamentos Urbanos e a Memória Negra", que buscam justamente refletir sobre as contribuições da população negra para a construção das cidades e a necessidade de reconhecer memórias frequentemente invisibilizadas .
Museu de Percurso do Negro: Memória Viva no Centro
Para marcar e valorizar a presença africana e afrodescendente, Porto Alegre conta com o Museu de Percurso do Negro, um conjunto de obras de arte instaladas no Centro Histórico .
- Pegada Africana (2011): Instalada na Praça da Alfândega, marca a presença dos africanos e seus descendentes .
- Bará do Mercado (2013): Localizado no Mercado Público, representa o orixá dono de todas as encruzilhadas e caminhos, em referência à religiosidade afro-gaúcha .
- Painel Afro-brasileiro (2014): No Largo Glênio Peres, próximo ao Mercado Público, é a obra mais recente do museu .
O Príncipe Custódio (Osuanlele Okizi), membro da família real de Daomé, viveu em Porto Alegre de 1901 a 1935 e é uma figura central nessa história, sendo lembrado na Travessa dos Venezianos, onde fica o Centro Africano São Miguel Arcanjo do Pai Alfredo .
Arquitetos Negros em Porto Alegre: Dados e Desafios
Apesar da rica história e da presença marcante da população negra na construção da cidade, a representatividade no campo da arquitetura e urbanismo ainda é um desafio.
Dados e Reflexões
- •Invisibilidade: A trajetória de arquitetos e arquitetas negras frequentemente é invisibilizada nas narrativas oficiais da cidade e da profissão .
- •Curso do IAB RS: Iniciativas como o curso "Apagamentos Urbanos e a Memória Negra" mostram a necessidade de debater o tema e trazer novas perspectivas para arquitetos e urbanistas .
- •Representatividade: A luta por um espaço mais justo e representativo na arquitetura é uma pauta central para a construção de uma cidade mais democrática .
- •Prêmio Pritzker: A conquista de Francis Kéré, primeiro arquiteto negro a receber o Prêmio Pritzker em 2022, é um marco importante e uma inspiração global .
Políticas Afirmativas e Ações para a Diversidade
Para reverter o histórico de exclusão e promover a diversidade, são fundamentaispolíticas afirmativas que garantam acesso, permanência e visibilidade para arquitetos e arquitetas negras, pardas e indígenas.
Educação e Formação
Incentivo a bolsas e programas de acesso para estudantes negros e indígenas nos cursos de Arquitetura e Urbanismo.
Visibilidade e Memória
Projetos como o Museu de Percurso do Negro e cursos sobre memória negra são essenciais para resgatar e valorizar a história .
Redes de Apoio
Fortalecimento de redes e associações de arquitetos negros para troca de experiências e fortalecimento da categoria.
Representatividade
Promover a representatividade em eventos, premiações e espaços de decisão da arquitetura, como o CAU/RS e o IAB RS.
O Compromisso da Camila Chalon Arquitetura
A Camila Chalon Arquitetura acredita que a arquitetura é uma ferramenta poderosa para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Nosso compromisso com a diversidade se reflete em:
- Valorização da diversidade: Em nossa equipe e em nossos projetos, buscamos valorizar a pluralidade de olhares e experiências.
- Apoio a causas: Apoiamos iniciativas que promovem a representatividade e a luta contra o racismo na arquitetura e na sociedade.
- Construção de uma cidade democrática: Acreditamos que o espaço urbano deve ser pensado para e por todas as pessoas, com respeito à sua história e memória.
Referências e Saiba Mais
- • CRISTALDO, R. Cidade, arquitetura e presença negra: Como o passeio do Batuque ocupa espaços no centro de Porto Alegre/RS. PIXO, 2026.
- • IAB RS. Curso promovido pelo IAB RS debate memória negra na construção das cidades, 2026.
- • CAU/RS. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul.
- • Portal do Bicentenário. Caderno Territórios Negros.
Construa uma arquitetura mais diversa e representativa
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